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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Em memoria Marlon Brando

Considerado um dos maiores atores de todos os tempos, além de um dos mais belos, Marlon Brando foi também um dos astros mais difíceis de se lidar, segundo seus diretores, além de ter se tornado uma pessoa reclusa em seus últimos anos e até ter rejeitado a própria profissão. A recusa de seu segundo Oscar de Melhor Ator por O Poderoso Chefão (1972) é um dos maiores exemplos de como funcionava a mente inquieta do galã.
A atuação já estava no sangue de Marlon Brando desde seu nascimento, em três de abril de 1924, em Omaha, Nebraska, nos Estados Unidos. Filho de um especialista em pesticidas e de uma atriz e administradora de teatro, Brando tinha duas irmãs mais velhas: Frances e Jocelyn. Esta última seguiu a carreira artística antes do caçula da família. Quando ainda morava com os pais, dizem que Brando imitava os vizinhos e os bichos da fazenda para chamar a atenção da mãe – que era alcóolatra.
Quando foi dispensado do serviço na Segunda Guerra Mundial por uma lesão no joelho, surgiu a oportunidade de Brando ir à Nova York e tentar a carreira de ator. O resultado foi a Broadway, onde conseguiu atuar, entre outras produções, em Uma Rua Chamada Pecado, no papel de Stanley Kowalski – papel que reprisaria nas telonas poucos anos depois sob a direção de Elia Kazan, lhe rendendo sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Por sinal, o astro foi o único do elenco de Uma Rua Chamada Pecado (1951) que não levou o prêmio para casa.  Feito que ele conseguiria três anos depois (e mais três indicações posteriores) por Sindicato de Ladrões (1954). No total, a Academia lembrou de Brando oito vezes, sendo a última por Assassinato Sob Custódia (1989) – única vez que o ator concorreu como coadjuvante.
Sempre envolvido em causas pelos direitos igualitários, Marlon Brando apoiava casamentos inter-raciais, financiou os Panteras Negras e lutou pelos índios norte-americanos. Tanto que no famoso episódio já citado do Oscar de 1973, mandou uma ativista vestida de indígena em seu lugar para receber a estatueta por sua atuação em O Poderoso Chefão.
Após este episódio, as atuações de Brando no cinema começaram a ficar mais escassas, mas não menos emblemáticas. Impossível não lembrar do ator em filmes como O Último Tango em Paris(1972), polêmico por seu conteúdo sexual (alguém falou em manteiga?), seu Coronel Walter E. Kurtz de Apocalypse Now (1979), outro clássico do diretor Francis Ford Coppola, ou ainda sua participação quase que especial como Jor-El, o pai de Kal-El em Superman – O Filme (1978).
Nos anos 1980, Brando só apareceria nas telonas duas vezes: no fracasso A Fórmula (1980), que inclusive lhe rendeu uma indicação ao Framboesa de Ouro, e Assassinato Sob Custódia (1989), sua volta ao Oscar. Nos anos seguintes, poucas produções que estrelou tiveram grande destaque, como Don Juan DeMarco (1994), numa aparição simpática, e o horrendo A Ilha do Dr. Moreau(1996), onde novamente estaria na lista do Framboesa.
Neste meio tempo, muito se falou sobre a sua atribulada vida pessoal. Foi casado três vezes e teve doze filhos, além de dezenas de amantes. Na sua autobiografia, inclusive, comenta que teve um caso com Marilyn Monroe por anos. Há quem diga que não só mulheres, mas homens também participaram do rol de conquistas do ator. Fato é que o astro foi alvo de polêmica em 1990 ao participar do julgamento de um de seus filhos, Christian, que matou o namorado da meia-irmã, Cheyenne. O garoto foi considerado culpado e a menina se matou, deixando o ator, que já andava recluso e acima do peso há anos, ainda mais fechado.
Comenta-se que, por ser um grande amigo do popstar Michael Jackson, Brando esteve no rancho Neverland do cantor várias vezes para cuidar da saúde. Cada vez mais obeso e com problemas respiratórios graves, ainda conseguiu estrelar mais um filme, A Cartada Final (2001). Curiosamente o título em português do filme de Frank Oz também seria o derradeiro trabalho de Brando, que deixaria o mundo mais triste no dia primeiro de julho de 2004, quando faleceu por insuficiência respiratória. Ainda assim, continua intacto seu legado como inspiração para atores de todas as gerações que vieram após sua primeira aparição nas telas. Tanto que ele foi lembrado como a quarta maior lenda do cinema pelo Instituto de Cinema Americano em 1999. Alcunha mais do que merecida.
Filme imprescindível: Uma Rua Chamada Pecado (1951)
Filme esquecível: A Ilha do Dr. Moreau (1996)
Maior sucesso de bilheteria: Superman – O Filme (1978)
Primeiro filme: Espíritos Indômitos (1950)
Último filme: A Cartada Final (2001)
Guilty pleasure: Don Juan DeMarco (1994)
Papel perdido:  Recusou o papel-título de Ben-Hur (1959) por não ter gostado do roteiro. Quem assumiu seu lugar foi Charlton Heston, que levou o Oscar. Também não quis protagonizar Lawrence da Arábia (1962), deixando o papel para Peter O’Toole.
Oscar: Recebeu duas estatuetas, ambas como Melhor Ator: a primeira por Sindicato de Ladrões(1954) e outra por O Poderoso Chefão (1972), a qual recusou. Foi indicado outras seis vezes:Uma Rua Chamada Pecado (1951), Viva Zapata! (1952), Júlio César (1953), Sayonara (1957), O Último Tango em Paris (1972) e Assassinato sob Custódia (1989) – este último, como Coadjuvante;
Framboesa de Ouro: Recebeu quatro indicações: Pior ator em A Fórmula (1980); Pior Ator Coadjuvante em Cristóvão Colombo: A Aventura do Descobrimento (1992); Pior Dupla (junto com um anão) e Pior Ator Coadjuvante em A Ilha do Dr. Moreau (1996); “Venceu” nesta última categoria.
Frase inesquecível: “Eu poderia ter tido classe. Eu poderia ter sido um lutador. Eu poderia ter sido alguém, ao invés do vagabundo que sou.” – Terry Malloy, Sindicato de Ladrões (1954)

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